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A psicologia por trás do BBB



De um lado, nós, espectadores, seguindo de perto a vida de outras pessoas dia após dia de maneira sem precedentes. Do outro, os moradores da "casa mais vigiada do Brasil" sendo observados 24 horas por dia, sete dias por semana. Os "brothers" sabem disso e acabam adaptando seu comportamento à situação em que se encontram. Assim como na vida aqui do lado de fora, ocorrem fofocas, conchavos, intrigas e disputas, mas tudo com uma pitada a mais de tensão e inquietude. 

Para nós, toda essa apreensão pode parecer “normal”, mas, na verdade, há uma série de efeitos psicológicos que esses participantes sofrem sem ter lá muita consciência. Apenas uma coisa é certa: há mais angústia e inquietação do que o normal. 

Sentir-se observado tem forte impacto no comportamento humano. E, no caso do programa, ser observado por três meses seguidos tem dois efeitos: 

1) Tentar controlar atitudes e reações nos momentos em que estão conscientes das câmeras; 

2) Agir de maneira mais livre quando se esquecem das câmeras.

Viver em um ambiente "não natural" também interfere muito nas estratégias de enfrentamento. Ambientes "excepcionais", como uma base polar, uma estação espacial, um submarino, prisão, UTI ou sala de isolamento, entre outros, podem propiciar o aparecimento de perda de identidade como uma espécie de anestesia emocional. 

Entre prisioneiros confinados em solitárias, por exemplo, há relatos de ansiedade extrema, raiva, mudanças mais intensas de humor e, finalmente, diminuição do controle dos impulsos, levando as pessoas a assumirem comportamentos de maior risco. Muitas vezes, concluem os pesquisadores, ataques de pânico e níveis mais altos de depressão e de perda de memória estão igualmente mais presentes. 

Embora os “brothers” não vivam uma situação tão extrema quanto a dos prisioneiros, a noção de autonomia pessoal está diretamente atrelada à noção de autoestima, a qual, nessas circunstâncias, possivelmente decai de maneira vertiginosa.

Os efeitos psicológicos são imediatos. Na vida real, quando não gostamos de alguém, podemos nos afastar e, assim, neutralizar sentimentos e emoções ruins – o que diminui de maneira expressiva nossos níveis de tensão e de ameaça.

Na casa do Big Brother, a possibilidade de fuga é confiscada dos moradores. Se a pessoa não pode fugir, só lhe resta atacar. É por isso que os motivos mais triviais geram respostas hostis ou exacerbadas, ainda que reagir daquela maneira não seja do estilo pessoal.

Moral de história: quanto mais tempo permanecerem nesse local, mais irritadiços, impacientes e intolerantes com o outro se mostrarão.

Em conclusão, o que se vê é um verdadeiro caldeirão de processos psicológicos. E os resultados são imprevisíveis.

 

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