O histórico patriarcal sempre fez com que as mulheres precisassem ser fortes, sem qualquer opção de escolha. Cuidar do lar, dos filhos, estudar, trabalhar, ter uma profissão, e ainda serem cobradas esteticamente e psicologicamente.
A masculinidade e toda essa cultura que envolve o mundo
masculino, ainda é latente na nossa sociedade, fazendo com que haja resistência
e preconceitos, grande fator para que os companheiros não cumpram com seus
respectivos deveres igualmente à mulher sempre sobrecarregando uma das partes.
Muitos homens ainda não têm consciência de que eles não precisam
“ajudar” a esposa, mas sim, que eles também são parte da casa e é necessário
cuidar dela tanto quanto.
Essa jornada tão desgastante de se desdobrar para atender
toda a expectativa dessa esfera feminina é o que muitas vezes leva ao
adoecimento. Pressões, estigmas, preconceito, falta de apoio, a problemática de
conseguir um corpo perfeito, ter que dar conta de tudo, estar em dia com o
salão de beleza, enfim, ser uma “supermulher”.
Sensações de vazio, fadiga, medo, depressão, fragilidade,
bloqueio e falta de criatividade são sintomas cada vez mais frequentes entre as
mulheres modernas. A pressão estética, a busca incessante pela perfeição, pelo
corpo comparado muitas vezes no Instagram afeta não só as mulheres, mas todos
que sofrem de baixa autoestima.
Naomi Wolf no livro “O mito da beleza” questiona pressões as
estéticas. Pressões estas que levo como reflexão para dentro do consultório.
Segundo Wolf, a beleza é entendida como uma qualidade
fundamental, estimulando competições entre mulheres e entre os homens, que
disputam as ditas mais belas. Exercendo pressão pela busca de uma aparência
ideal, o mito da beleza seria uma das ficções elaboradas para controlar
mulheres na sociedade patriarcal.
Na política: querem enfraquecer as mulheres na representação
política, controlando suas relações e posições no mercado de trabalho.
Mulheres ainda sofrem (e muito) com os efeitos nocivos dos
padrões e estão em frente ao excesso de informação que fixam esses padrões. A
conta de tudo isso, quem é que paga? Uma grande onda de empoderamento feminino
e sororidade tem auxiliado no processo de reconstrução da mulher na sociedade,
mas ainda é necessário olhar com mais carinho para a sobrecarga emocional das
mulheres.
Quando se fala em exaustão mental, lembramos logo de questões
relacionadas à controle, à produtividade, ao rendimento e à necessidade de dar
conta de tudo.
Diante de tudo isso nos deparamos com mulheres mentalmente
cansadas e, muitas vezes, adoecidas psicologicamente.
Um quadro de estafa mental, acontece quando o cérebro fica
sobrecarregado devido ao excesso de informações captados durante o dia, seja
devido ao trabalho ou aos estímulos e notícias que chegam através das redes
sociais e de informação, por exemplo.
Dessa forma, há desregulação do sistema nervoso e aumento da
concentração no sang
ue do hormônio relacionado ao estresse, o cortisol,
resultando em cansaço mental.
Hoje o grande trabalho é o de desconstrução dos estigmas que
permeiam o universo feminino, para que seja fortalecido e valorizado cada vez
mais esse processo de independência, autonomia e promoção da saúde da mulher.
É necessário entender que a mulher é mais do que máquinas,
mais do que apenas o seu órgão feminino, mais do que aquela que gera vida, que
materna e cuida da casa. Compreender a mulher como um todo, com suas
vulnerabilidades e potencialidades, fazer com que ela própria se acolha e não
acredite que buscar ajuda a faça menos forte ou incapaz. Compreender a mulher
como um ser humano, que é o que nós somos.
É importante que nos permitam errar e sermos imperfeitas, é
preciso entender que descanso é investimento, de que não se pode dar conta de
tudo o tempo todo e que pedir ajuda não nos torna fracas.

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