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A mulher hoje!






O histórico patriarcal sempre fez com que as mulheres precisassem ser fortes, sem qualquer opção de escolha. Cuidar do lar, dos filhos, estudar, trabalhar, ter uma profissão, e ainda serem cobradas esteticamente e psicologicamente.

A masculinidade e toda essa cultura que envolve o mundo masculino, ainda é latente na nossa sociedade, fazendo com que haja resistência e preconceitos, grande fator para que os companheiros não cumpram com seus respectivos deveres igualmente à mulher sempre sobrecarregando uma das partes.

Muitos homens ainda não têm consciência de que eles não precisam “ajudar” a esposa, mas sim, que eles também são parte da casa e é necessário cuidar dela tanto quanto.

Essa jornada tão desgastante de se desdobrar para atender toda a expectativa dessa esfera feminina é o que muitas vezes leva ao adoecimento. Pressões, estigmas, preconceito, falta de apoio, a problemática de conseguir um corpo perfeito, ter que dar conta de tudo, estar em dia com o salão de beleza, enfim, ser uma “supermulher”.

Sensações de vazio, fadiga, medo, depressão, fragilidade, bloqueio e falta de criatividade são sintomas cada vez mais frequentes entre as mulheres modernas. A pressão estética, a busca incessante pela perfeição, pelo corpo comparado muitas vezes no Instagram afeta não só as mulheres, mas todos que sofrem de baixa autoestima.

Naomi Wolf no livro “O mito da beleza” questiona pressões as estéticas. Pressões estas que levo como reflexão para dentro do consultório.

Segundo Wolf, a beleza é entendida como uma qualidade fundamental, estimulando competições entre mulheres e entre os homens, que disputam as ditas mais belas. Exercendo pressão pela busca de uma aparência ideal, o mito da beleza seria uma das ficções elaboradas para controlar mulheres na sociedade patriarcal.

Na política: querem enfraquecer as mulheres na representação política, controlando suas relações e posições no mercado de trabalho.

Mulheres ainda sofrem (e muito) com os efeitos nocivos dos padrões e estão em frente ao excesso de informação que fixam esses padrões. A conta de tudo isso, quem é que paga? Uma grande onda de empoderamento feminino e sororidade tem auxiliado no processo de reconstrução da mulher na sociedade, mas ainda é necessário olhar com mais carinho para a sobrecarga emocional das mulheres.

Quando se fala em exaustão mental, lembramos logo de questões relacionadas à controle, à produtividade, ao rendimento e à necessidade de dar conta de tudo.

Diante de tudo isso nos deparamos com mulheres mentalmente cansadas e, muitas vezes, adoecidas psicologicamente.

Um quadro de estafa mental, acontece quando o cérebro fica sobrecarregado devido ao excesso de informações captados durante o dia, seja devido ao trabalho ou aos estímulos e notícias que chegam através das redes sociais e de informação, por exemplo.

Dessa forma, há desregulação do sistema nervoso e aumento da concentração no sang
ue do hormônio relacionado ao estresse, o cortisol, resultando em cansaço mental.

Hoje o grande trabalho é o de desconstrução dos estigmas que permeiam o universo feminino, para que seja fortalecido e valorizado cada vez mais esse processo de independência, autonomia e promoção da saúde da mulher.

É necessário entender que a mulher é mais do que máquinas, mais do que apenas o seu órgão feminino, mais do que aquela que gera vida, que materna e cuida da casa. Compreender a mulher como um todo, com suas vulnerabilidades e potencialidades, fazer com que ela própria se acolha e não acredite que buscar ajuda a faça menos forte ou incapaz. Compreender a mulher como um ser humano, que é o que nós somos.

É importante que nos permitam errar e sermos imperfeitas, é preciso entender que descanso é investimento, de que não se pode dar conta de tudo o tempo todo e que pedir ajuda não nos torna fracas.

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